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Investidores

Comunicação transparente, consistente e no tempo certo com investidores, credores e demais públicos. Aqui ficam os documentos oficiais da oferta pública de notas comerciais e as demonstrações financeiras do grupo.

Documentos em português, idioma oficial. Material apenas para consulta.

Documentos oficiais

Documentos

Notas comerciais da 2ª emissão da HOB Eventos, Treinamentos e Publicações Ltda. e demonstrações financeiras do grupo. Selecione cada item para acessar os arquivos.

01

Termo de emissão

Notas comerciais

Termos e condições da operação: valor, remuneração, prazos, garantias e obrigações da emissora.

02

Aviso ao mercado

Notas comerciais

Principais termos da oferta e instituições participantes da distribuição.

03

Anúncio de início

Notas comerciais

Início da distribuição pública e termos finais da emissão comunicados ao mercado.

04

Anúncio de encerramento

Notas comerciais

Encerramento da distribuição pública da 2ª emissão de notas comerciais.

05

Demonstrações financeiras

Demonstrações anuais com notas explicativas e relatório do auditor independente.

2025 — HOB Holding e Participações Ltda.
Exercício encerrado em 31/12/2025
2024 — HOB Holding e Participações Ltda.
Exercício encerrado em 31/12/2024. Antiga BMI Holding e Participações Ltda.
2023 — BMI Holding e Participações Ltda.
Exercício encerrado em 31/12/2023
Perspectivas

Perspectivas

Uma leitura de Daniel Augusto Motta para potenciais investidores de capital e para os atuais detentores das notas comerciais da HOB.

O valor intrínseco de uma empresa de serviços profissionais na era da IA

Empresas de serviços profissionais criam valor de maneiras diferentes. Algumas se apoiam em conteúdo e metodologias proprietárias, outras em competência técnica escassa, e outras na capacidade de conduzir processos altamente complexos em escala.

A consultoria de gestão é uma profissão formal há cerca de um século e, nesse período, desdobrou-se em inúmeros formatos. Nas últimas três décadas, a consultoria de tecnologia tornou-se o seu maior segmento. O mercado mais amplo de consultoria e serviços de TI costuma ser estimado em cerca de US$ 1 trilhão em honorários anuais.

Ao longo dessa história, um pequeno grupo de firmas dominou a arte de oferecer aconselhamento pragmático, perspicaz e independente sobre os problemas mais difíceis que as organizações enfrentam. A IA generativa e a IA agêntica desafiam agora a economia desse trabalho de forma mais direta do que qualquer tecnologia anterior. Pela primeira vez, as máquinas fazem o trabalho que antes definia o consultor júnior: pesquisa, síntese, modelagem e redação.

Nessas condições, o que ainda sustenta o valor intrínseco?

Um referencial de avaliação

Valor intrínseco é o valor presente do fluxo de caixa livre futuro. Para uma empresa de serviços profissionais, isso se resume a cinco perguntas:

  • Com que velocidade ela consegue crescer?
  • Que margem ela consegue defender?
  • Quanto capital o crescimento exige?
  • Quão previsíveis são os seus fluxos de caixa?
  • Por quanto tempo as suas vantagens vão durar?

A IA mexe nas cinco variáveis ao mesmo tempo. Os vetores a seguir explicam como.

I – As pessoas certas nos papéis-chave

Sócios e associados excepcionais continuam sendo a base de qualquer empresa de serviços profissionais: apaixonados, colaborativos e comercialmente maduros. Atraí-los, desenvolvê-los e retê-los segue sendo a tarefa central de uma sociedade.

O que a IA muda é aquilo pelo que os clientes pagam. O conhecimento codificado está virando commodity rapidamente: modelos conceituais, referências comparativas, panoramas de mercado e primeiras versões. A sabedoria, não. O conhecimento tácito construído ao longo de uma carreira não pode ser inferido a partir de dados. Isso inclui o discernimento em contexto, o senso de proporção e a capacidade de ler o poder e o momento certo dentro de uma organização. As firmas são cada vez mais valorizadas pelo discernimento que concentram, e não pelas horas que faturam.

Há uma segunda restrição. As máquinas podem ser exponenciais; os seres humanos, não. Sistemas agênticos eliminam as pausas naturais e geram um fluxo interminável de entregas, decisões e demandas. A firma que deixa as expectativas dos clientes subirem até o nível da capacidade das máquinas vai pagar por isso em rotatividade, taxas de erro e na perda silenciosa dos seus melhores profissionais. Desenhar o trabalho em torno dos limites humanos tornou-se uma vantagem competitiva.

E há uma terceira. A IA está absorvendo o trabalho júnior por meio do qual os consultores sempre aprenderam o ofício. A firma precisa reconstruir deliberadamente o seu modelo de aprendizagem na prática, ou a sua próxima geração de sócios vai secar sem que ninguém perceba.

A implicação para a avaliação da empresa: os investidores pagam mais quando a capacidade está na instituição (nos seus métodos, plataformas e modelo de formação) e não em um punhado de sócios. O risco de pessoa-chave continua sendo o primeiro desconto que um investidor aplica.

II – Plataformas inteligentes sempre se pagam

Na última década, a consultoria incorporou gradualmente o software como serviço (SaaS) à sua oferta, somando inteligência digital à capacidade humana. A IA vai além: ela desmonta a pirâmide de alavancagem. Durante décadas, a margem veio de alocar grandes equipes de consultores juniores sob poucos sócios. Quando um agente de IA entrega em minutos o que um analista entregava em dias, a receita atrelada a horas começa a encolher.

As firmas respondem de uma de duas maneiras:

  • Repassar os ganhos aos clientes. As firmas que repassam os ganhos de produtividade aos clientes na forma de honorários menores veem a receita encolher.
  • Reter os ganhos nos próprios ativos. As firmas que incorporam a produtividade a plataformas proprietárias, a dados e a modelos de preço por resultado ou por assinatura ampliam as suas margens. Elas também transformam honorários ocasionais em receita recorrente.

Projetos sob medida e de alta margem ainda geram um fluxo de caixa livre robusto. Mas a receita recorrente define cada vez mais o valor de longo prazo, porque é contratada, previsível e cresce sem exigir aumento de equipe na mesma proporção. Ela vem de plataformas, serviços gerenciados, automação e contratos de processos de longo prazo. Cientistas de dados e engenheiros já trabalham lado a lado com consultores de negócios.

A fronteira entre aconselhamento e execução também está se apagando. Recomendações que não podem ser implementadas são mais difíceis de vender. As firmas capazes de desenhar a estratégia, desenvolver as pessoas e entregar a tecnologia conquistam uma fatia muito maior do orçamento de transformação do cliente e mantêm a relação por mais tempo.

O valor do cliente ao longo do tempo depende de combinar proximidade humana com alta tecnologia. As relações continuam sendo construídas sobre confiança e impacto, e a reputação continua dependendo de excelência consistente em situações complexas e ambíguas. Hoje, excelência também significa plataformas escaláveis e dados proprietários, o único insumo que um modelo de uso geral não consegue copiar.

III – Ideias poderosas viram ação

Não há valor intrínseco no senso comum, e a IA tornou o senso comum quase gratuito. Um modelo produz em segundos uma matriz 2x2 competente, um panorama de mercado ou um modelo de maturidade.

Isso eleva a exigência sobre a propriedade intelectual (PI). Uma PI eficaz combina um ponto de vista próprio com uma aplicação de negócio convincente, apoiada em pesquisa rigorosa e em ampla prática. Com a IA, ela também precisa estar incorporada a produtos que os clientes usam repetidamente, e não apenas leem uma vez: plataformas, diagnósticos, avaliações e dados. A PI que vive só em slides é o ativo mais exposto de uma firma. A PI que vive em sistemas e dados proprietários ganha valor com o tempo.

Uma PI forte continua fazendo três coisas ao mesmo tempo: fortalece a marca, sustenta preços diferenciados e reduz o custo de entrega.

IV – A honra nunca fica obsoleta

O escrutínio público agora alcança os consultores, e não apenas os seus clientes corporativos. É uma mudança real para um setor acostumado, por muito tempo, a atender clientes independentemente das suas externalidades ou da sua ética.

A IA aumenta o que está em jogo, porque nenhuma tecnologia é neutra. Todo sistema de IA carrega os valores, os vieses e os pontos cegos de quem o projeta e o implementa. As consultorias estão incorporando algoritmos às decisões dos clientes sobre contratação, crédito, preços e operações. Ao fazer isso, assumem responsabilidade por consequências que os seus clientes talvez não prevejam. Governança de dados, transparência dos modelos e contenção ética estão se tornando parte do produto, e não um apêndice da conformidade regulatória.

Crises recentes no setor global mostraram com que rapidez um único projeto pode destruir décadas de valor de marca e afastar clientes e talentos. Não há mais espaço para ficar em cima do muro. Em termos de avaliação, integridade significa uma taxa de desconto menor.

V – Riqueza além das operações leves em ativos

Durante décadas, a criação de valor se apoiou em margens operacionais altas sobre uma receita crescente. Ela era sustentada por especialistas comprometidos, PI forte, reputação de marca, redes de clientes e sistemas de gestão robustos.

À medida que as firmas incorporam plataformas, automação e IA, os projetos pontuais e rentáveis precisam conviver com contratos recorrentes de licenciamento e de serviços gerenciados. Isso cria uma dupla realidade:

  • Lado positivo: a receita recorrente tem menos risco, por isso é descontada a uma taxa menor, o que eleva o valor presente líquido.
  • Lado negativo: plataformas e capacidades de IA exigem capital de verdade, para desenvolvimento, infraestrutura de dados, poder computacional e talentos especializados. Isso aperta o fluxo de caixa operacional mês a mês e aumenta o risco de execução. “Leve em ativos” já não descreve por completo as firmas líderes.

Os investidores avaliam essa combinação por partes. A consultoria é avaliada por múltiplos de EBITDA. A receita recorrente de IA, automação e SaaS é avaliada por múltiplos de receita, retenção e crescimento. Por isso, a composição da receita move a avaliação tanto quanto o volume de receita. A firma que muda essa composição pode conquistar um múltiplo maior, mas só se conseguir provar a qualidade da sua receita recorrente: contratada, retida e crescente.

Uma observação final: porte importa

Porte importa. E importa muito.

É maravilhoso fazer parte de uma aventura empreendedora, e o pequeno sempre pode ser belo. Isso é absolutamente verdadeiro.

Ainda assim, toda empresa precisa crescer para sobreviver no longo prazo, e a IA amplia a distância entre firmas grandes e pequenas. A escala paga as plataformas, os dados, o poder computacional e os talentos que a IA exige. Uma base de clientes mais ampla também gera os dados que tornam essas plataformas melhores. O crescimento acrescenta complexidade, mas também eleva os múltiplos de avaliação. Para os investidores, uma firma maior significa um modelo de negócio mais resiliente.

Na era da IA, o valor intrínseco de uma empresa de serviços profissionais repousa sobre um paradoxo. Quanto mais trabalho as máquinas conseguem fazer, mais valiosas se tornam duas coisas: o que só as pessoas conseguem fazer e as plataformas que permitem que poucas delas o façam em escala.

Daniel Augusto Motta, PhD, Managing Partner HOB
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